Quarta-feira, Julho 08, 2009

de repente

sem palavras cada momento junto
e mil vontades no instante que some
sobe sai e fica pra sempre
o calor superficial das mãos que sentem
as digitais são iguais as que ficaram por anos
3 anos?
o tempo parece não passar para um amor passado
o tempo parece não passar para um amor passado
tudo igual dentro e fora aqui e lá passado e presente
as palavras surgem cuidadosas como antes
a vontade que não some substitui o medo
os olhos distantes do lugar frio são seus
o beijo entre o nariz e a boca ficará para os próximos
anos
3 anos?

Quarta-feira, Junho 17, 2009

ela & ele

ele: quer casar comigo?

ela: amor, nós já somos casados, esqueceu?

ele: então vamos à melhor parte: lua-de-mel!

Segunda-feira, Junho 01, 2009

doses

Bebo
cada gole desce e rasga
cada corda que queima
arranha e arde
não sei o que roda
dança, não destingue
Bebo
e queria beber-te a ti
pouco a pouco
gole a gole
saboreando a hora
degustando dor
derramando sal e álcool
Bebo
e vomito o que não era
boto mais uma vez
você pra fora de mim
chorando querendo
que fique pra sempre
mas sem aquela dor
no estômago do dia seguinte
que vem sempre que não 
tem você, nem bebida.

Sábado, Maio 16, 2009

Quando tudo se ascendeu já era tarde e o que havia era uma mulher de bruço ao lado da banca, na outra esquina, a poucos metros do banco dele. 
Ele, com os olhos remelentos da noite anterior, queria voltar pra casa, tomar café e dormir mais, mas não resistiu e quis vê-la. Parecia uma boneca de louça. Vestia uma saia de chita e uma blusa preta. Era aquilo mesmo chita?
O que importava mesmo era a rua deserta com os garis amanhecidos que não ligavam pra ela. Dessa vez olhou para os lados. Observou tudo e andou mais devagar. Pôs os pés perto da cintura dela, olhou para os garis e agachou:
- Hey. Você está viva?
Nada
- Me responda, ei.
Nada. Sacudiu com força.
- Moça! o que é que há?
Os garis pararam de varrer e arregalaram os olhos. A rádio comunitária desejou bom dia.
- Quem é você? - disse a mulher, virando cuidadosamente.
- Você está bem moça?
- Perguntei primeiro - disse ela.
- Não importa, pode se levantar?
- Não sei, me ajuda?
E ele a carregou até o banco mais próximo, como cuidado de olhar para os lados e conferir os poucos transeuntes .
- Já estou melhor. Foi ontem à noite...
- Sabe o que foi aquilo?
- Não sei, mas estou bem. Pode me deixar aqui.
Deu um passo pra trás e fitou os olhos dele. Os dois tinham remelas.
E aquela saia de chita, porque ele achava que era de chita? Ficou olhando pra ela, enquanto se limpava e batia na sala.
Caiu em si e foi saindo devagar. Continuou a olhar os pés e o chão, o chão e os pés, agora pensando naquela mulher deitada no chão. Ele não sabia, mas ela o acompanhou com o olhar até ele sumir no horizonte.
[continua]

Segunda-feira, Maio 04, 2009

Se você lesse

deixe eu te amar
ruim, desajeitado
estúpido e muito
não me abraçe!
Me deixe chorar tudo
e o que ainda falta chorar
não me acalme
não me corrija
não me diga palavras boas
me deixe cair
me deixe errar
te amar torto
injusto, sozinho
triste e grande
Não explique esse amor
não meça distância
nem impeça a loucura
não me ouça falar

Segunda-feira, Abril 20, 2009

ele e ela

ele: linda!

ela: ahn?

ele: era o que eu esqueci de dizer.

ela: você.

ele: eu?

ela: era o que eu disse que ia esquecer!

Terça-feira, Março 31, 2009

suicido

lendo poemas enamorados
dividindo o lugar com um estranho
ouvindo músicas com gosto amargo
cordas, navalhas, canivetes
uma janela aberta para a última frase
um coração dilacerado pelo golpe
estado de choque
choque, navalha ou veneno?
Moraleida se jogou
eu vou me matando aos lentos

vendo enamorados 
escrevendo e matando você em mim
engolindo seco o suco gástrico
afogando-me em minhas lágrimas
murro, atropelo e tiro
do fatal adeus ao fundo
fundo preto do poço
lá as lágrimas pingam tortura
e eu morro te vendo
fazendo poemas enamorados
matando as palavras, inexistindo ao seu lado

Terça-feira, Março 24, 2009


Era noite e a rádio comunitária cantava roucamente: "nosso amor que eu não esqueço e que teve seu começo numa festa de são joão..." Ele caminhava vagarosamente pelas ruas da cidade sem olhar quem vinha pela frente - pés e calçada, calçada e pés, pés e calçada, calça
- Desculpa senhora.
- Olhe por onde anda, insolente!
Nunca ninguém o havia chamado de insolente, não que ele lembrasse... e seguiu sem olhar pra frente e agora sem saber onde ia. Um barulho de buzina o fez olhar para o lado e foi quando avistou um bar; sentiu vontade de beber, mas não tinha um puto no bolso. Voltou a caminhar. Passando pela praça principal tornou a ouvir a droga da rádio comunitária: "nunca mais quero seu beijo, mas meu último desejo... 
- Ahhhhhhhh!!!!!
Ficou tudo escuro. Ouviu gritos, freios, risadas, tombos; quis voltar, não conseguiu. Esfregava os olhos, mas a visão só voltava com o brilho dos faróis dos carros. Também não seguiu a intuição, ao contrário: achou com a canela um banco na praça e sentou-se para esperar a normalidade.
[continua]

Quarta-feira, Março 18, 2009

emprestado

jogo um verso
converso
não tô quieto
esperto
inseto
incerto
tento 
e tudo que sai 
empresto
eu não presto
nem pra um 
resto
de verso
desconverso
eu não presto.

Quinta-feira, Março 12, 2009

ela & ele [início da saga]

ele: oi, tudo bem?

ela: tô de saída.

ele: só perguntei se tá...

ela: tá tudo bem e contigo?

ele: comigo só se você ficar!