terça-feira, agosto 25, 2015

instável

se a vida fosse
uma tarde de cerveja
uma música em yorubá
deleite

se a vida fosse um pôr do sol
um mergulho na Barra
passeio de barco
dança de Orixá

estaria feliz todo dia
que nem meninas apaixonadas
crianças que ganham presentes
velhinhos jogando xadrez

que desejo mais besta
a vida nunca é o que se deseja
nunca será
não perderei mais minhas tardes
no posto
na cerveja

chega

o que desejo não existe
cessa, agonia

sexta-feira, dezembro 19, 2014

O Poeta Morto

se aproxima da gente
sorridente, mas tímido
tava quente
mercado da boa vista
como vai? tais ausente
mirou triste, voz baixinha
silenciou
senta, bebe com a gente!
deu rompante
andou tropeçante
e nunca mais foi visto
a poesia ficou triste
de chorar tornou-se
ofegante

quarta-feira, dezembro 17, 2014

planos

metas, rumos
dias, horas
prazos
passam e não
me dizem oi
o mês é o melhor
mas não tô bem
metas e rumos
se perderam
bem antes
era junho?
memória
o que atingi
orgasmos não foi
tempo, horas
dias, mês
hojé é setembro
parece que parei
balanço que fiz
algo bom?
talvez
seja logo
cedo
antes que de
medo
risque as semanas
outra vez


...

na sala
tudo igual
banheiro, músicas novas
a pia a cozinha lá
só no quarto mudo
a roupa
a calcinha
o sonho
queria uma cama de casal
não ter casal nela
mas poder mudar
se quiser
costumo dormir
no sofá

onde a tv nina
dizendo te amo
ao lar



sábado, novembro 08, 2014

o encontro

a dança dos corpos
o balé nosso
como conter
a fúria do querer
não quero nem
pensar
se te ter for dançar
vou gastar sapatos
peles, quartos
e coreografar
todos os dias
o bailar do amor
penetrado

quinta-feira, setembro 11, 2014

II

o segundo ciclo
novidade
folha em branco
o amor devia chegar
em setembro

árvores novas
comichão no peito
sorrisos de bar
o amor devia chegar
em setembro

sem adiar
passagem confirmada
check in feito
sem atrasar
com charme, bigode
ou cabelos longos
do frio nórdico
ou do calor recifense

devia ser alegre
saltitante e livre
como uma criança
uma de nome em yorubá
com beijo doce
cheiro de laranja
e café da tarde

o amor devia chegar
quando eu fosse
lhe encontrar
em setembro:
é logo ali!

limpeza

apego
grude
fuligem de cidade
as lembranças encrostam
e só banhos de sal grosso
livram de todo mal
amém
sou fácil, bem sei
tenho saudade do que
nem vi
é praga de poeta
desses vagabundos que
caem de amor por
cidades
praças
bares
Saravá, sai pra lá
que os instantes me esqueçam
num quero me apaixonar

quinta-feira, setembro 04, 2014

cinza concreto

um monstro
cinza, seco, duro
um frio
carros, pés muros
bonitos
sem risos
mas cultos
rubros, brutos
São Paulo reproduz
em todos seus
algo mais
um mistério, suspeito
que não se deduz

quarta-feira, setembro 03, 2014

é chegado

a primavera tira
a poeira da camisa
colorida
tira do pulmão
cinza
traz calor ao coração
enterrado e guardado
cheio de mofo e saudade
a primavera traz
novos ares de ansiedade

quarta-feira, fevereiro 19, 2014

âmago

amargo
de tão amargo, doce
o que devia calar em mim
fala
o que devia ser silêncio
dor
o que precisa ter
perde
todo dia parece o último
todo último, primeiro
e o primeiro
tudo o que eu preciso
meu eterno doce

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

A dor

Hoje ela é bem maior que ontem
Ontem de tão grande saiu pela boca
Anteontem a senti no útero
Saindo pelas pernas
Amanhã será na mão
Que já trêmula, não aguenta
Escrever calmamente
Mais dois meses e a dor
É no meio da cabeça: dor de bala perdida
Se eu morrer amanhã, saibam:
Foi dor eterna no coração!

poesia para o medo

Lembro-me das árvores na praça da independência
Na memória viva, um conto, a assembléia e folhas.
Minas é tão quente e seca
Só meus cabelos ficavam incríveis
A pampulha deserta, o mineirão enorme
E minhas pernas trêmulas denunciavam o medo
Ainda assim, Minas Gerais me pareceu linda
Se eu soubesse que aquilo era medo, não passaria do aeroporto
As árvores me acalmavam e tudo que eu queria era que tudo
Tudo aquilo que me acalmava e dava medo fosse fake


quarta-feira, janeiro 08, 2014

ob ob servando

As garças brincam
na estranheza do lixo
uma beleza tão crua
quanto o lodo do rio
ninguém observa
a dança branca
nas águas negras
só uns homens berram
como animais pré-históricos
homens das cavernas
o rio calmo leva pessoas,
eu e lixo que só
Só eu percebo